sexta-feira, 9 de setembro de 2016

JUSTIFICADOS PELA FÉ


JUSTIFICADOS PELA FÉ

GL 2.15 Nós, judeus por natureza e não pecadores dentre os gentios, 16 sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado.

A atitude reprovável de Pedro, em relação aos cristãos de Antioquia descritas nos versículos 11 a 14 deste mesmo capítulo, deu a Paulo uma oportunidade perfeita para estabelecer, de uma vez por todas, a doutrina da justificação pela fé. Porém, antes de estudarmos esta doutrina, precisamos lembrar as razões que levaram o apóstolo a escrever essa carta aos gálatas.

A igreja da Galácia foi invadida por falsos mestres depois de sua fundação, realizada pelo apóstolo Paulo. Esses falsos mestres começaram a atacar o ensino apostólico da salvação somente pela fé e, com esse propósito em mente, esses obreiros fraudulentos tentaram desqualificar a autoridade de Paulo. E como fizeram isto? Alegando que Paulo não era apóstolo como os apóstolos do Senhor Jesus Cristo, que Paulo não era discípulo do Senhor, que ele não viu a Jesus e nem foi comissionado por Ele, nem por um dos discípulos “originais”. Portanto, já que ele não era apóstolo do mesmo gabarito que os outros, sua mensagem também não era totalmente digna de confiança.

Outra característica desse ataque ao apóstolo e à sua mensagem, era que os judaizantes – termo usado para caracterizar aqueles que estavam tentando minar a autoridade e o ensino do apóstolo - não negavam totalmente o ensino de Paulo. Afinal, os apóstolos de Jerusalém também ensinavam que era necessário crer no Senhor Jesus Cristo. Porém, diziam que a mensagem de Paulo era incompleta. E o que faltava? A circuncisão. Para esses falsos mestres, a fé no Senhor Jesus Cristo era insuficiente para a salvação daquele que crê. Era necessária, porém, insuficiente, pois na visão desses falsos mestres, sem a circuncisão ninguém poderia ser realmente salvo.

Já que o seu ministério e sua mensagem foram postos em cheque, Paulo escreve essa carta aos Gálatas para estabelecer definitivamente que tanto sua vocação, como seu ensino, provém de Deus. Nos capítulos 1 e 2 ele prova que seu chamado vem de Deus e nos capítulos 3 e 4 ele firma sua mensagem da justificação pela fé, usando como prova incontestável o Velho Testamento, ou seja, as Escrituras Sagradas dos seus acusadores. Porém, antes mesmo de chegar aos capítulos em que fará uma defesa sistemática do seu ensino, ele já introduz seu tema principal, que é a justificação pela fé (2.16).

Dito essas coisas, vamos voltar ao nosso texto: “15 Nós, judeus por natureza e não pecadores dentre os gentios, 16 sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado”.

Lembre-se que o que deu origem a essas palavras foi uma repreensão de Paulo ao apóstolo Pedro por causa de uma atitude hipócrita do mesmo em relação a observância da Lei (vs 11-14).

Paulo diz que nenhum homem pode tornar-se justo aos olhos de Deus através da obediência à Lei, ou seja, ninguém é salvo por sua capacidade de obedecer. Porém, mediante a fé em Cristo Jesus, o homem é salvo. Como se esta declaração geral – “o homem não é justificado por obras da lei” –  não bastasse, o apóstolo vai torna-la pessoal e aplicará à sua própria vida e à de Pedro, ele diz: “também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei”. Observe, “também temos crido”, ou seja, nós que somos judeus de nascimento, o povo eleito de Deus, o povo a quem pertence a aliança, a Lei, o templo, nós também somos salvos através da fé no Senhor Jesus e não pelas obras.

Se estivermos seguindo corretamente o raciocínio do apóstolo, precisaremos relembrar o que ele disse a Pedro no versículo 14: “se, sendo tu judeu, vives como gentio e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus? ”. Você consegue perceber onde Paulo quer chegar? Pedro sendo judeu, sabedor que a sua própria salvação não era fruto de sua obediência a Lei, mas da fé no Senhor Jesus, estava forçando aqueles pobres gentios a guardarem a Lei como condição para serem salvos. Esta atitude de Pedro, com certeza, levou o apóstolo a expandir seu argumento. E ele fará isso a partir do versículo 17. No entanto, precisamos saber o que ele quer dizer com justificação pela fé.

Justificação é o ato pelo qual Deus declara justo o pecador que crê no Senhor Jesus Cristo. A primeira observação a ser feita neste conceito é que a justificação é um ato e não um processo. Uma tradução literal de Romanos 5.1 diz assim: "Tendo sido, portanto, justificados de uma vez por todas pela fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo". Observe que a ação acontece uma única vez e é definitiva. Outra característica importante é que a justificação é um ato de Deus e não fruto do esforço humano em alcançar, através da obediência a algum mandamento, a salvação. Uma terceira observação a ser feita neste conceito de justificação é que Deus declara o homem justo e não o torna justo. O que isto quer dizer? Que a justiça não é inerente ao homem, mas algo que lhe é atribuída (Cristo não tinha cometido pecado, mas Deus, para nosso bem, tratou-o como pecador para que nós, em união com ele, pudéssemos ser considerados justos por Deus. Gl 5.21). No entanto, sabemos que a verdadeira justificação conduz a uma mudança de vida.


Podemos concluir que o ensino bíblico sobre a justificação é que a justiça de Cristo é imputada ao pecador, uma vez que ele não pode fazer nada para se auto justificar e que a maneira pela qual este pecador pode ter acesso a essa graça de Deus é através da fé no Senhor Jesus Cristo. Portanto, não precisamos viver angustiados, fazendo ou deixando de fazer determinadas obras no intuito de alcançar a salvação, mas precisamos aprender a descansar na obra redentora do nosso Senhor Jesus Cristo realizada naquela cruz.

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