JUSTIFICADOS PELA FÉ
GL 2.15 Nós, judeus por natureza e não pecadores
dentre os gentios, 16 sabendo, contudo, que o homem não é justificado
por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em
Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras
da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado.
A atitude reprovável de
Pedro, em relação aos cristãos de Antioquia descritas nos versículos 11 a 14
deste mesmo capítulo, deu a Paulo uma oportunidade perfeita para estabelecer,
de uma vez por todas, a doutrina da justificação pela fé. Porém, antes de
estudarmos esta doutrina, precisamos lembrar as razões que levaram o apóstolo a
escrever essa carta aos gálatas.
A igreja da Galácia foi
invadida por falsos mestres depois de sua fundação, realizada pelo apóstolo
Paulo. Esses falsos mestres começaram a atacar o ensino apostólico da salvação
somente pela fé e, com esse propósito em mente, esses obreiros fraudulentos
tentaram desqualificar a autoridade de Paulo. E como fizeram isto? Alegando que
Paulo não era apóstolo como os apóstolos do Senhor Jesus Cristo, que Paulo não
era discípulo do Senhor, que ele não viu a Jesus e nem foi comissionado por
Ele, nem por um dos discípulos “originais”. Portanto, já que ele não era
apóstolo do mesmo gabarito que os outros, sua mensagem também não era
totalmente digna de confiança.
Outra característica
desse ataque ao apóstolo e à sua mensagem, era que os judaizantes – termo usado
para caracterizar aqueles que estavam tentando minar a autoridade e o ensino do
apóstolo - não negavam totalmente o ensino de Paulo. Afinal, os apóstolos de
Jerusalém também ensinavam que era necessário crer no Senhor Jesus Cristo.
Porém, diziam que a mensagem de Paulo era incompleta. E o que faltava? A
circuncisão. Para esses falsos mestres, a fé no Senhor Jesus Cristo era
insuficiente para a salvação daquele que crê. Era necessária, porém,
insuficiente, pois na visão desses falsos mestres, sem a circuncisão ninguém
poderia ser realmente salvo.
Já que o seu ministério e
sua mensagem foram postos em cheque, Paulo escreve essa carta aos Gálatas para
estabelecer definitivamente que tanto sua vocação, como seu ensino, provém de
Deus. Nos capítulos 1 e 2 ele prova que seu chamado vem de Deus e nos capítulos
3 e 4 ele firma sua mensagem da justificação pela fé, usando como prova
incontestável o Velho Testamento, ou seja, as Escrituras Sagradas dos seus
acusadores. Porém, antes mesmo de chegar aos capítulos em que fará uma defesa
sistemática do seu ensino, ele já introduz seu tema principal, que é a
justificação pela fé (2.16).
Dito essas coisas, vamos
voltar ao nosso texto: “15 Nós, judeus por natureza e não pecadores
dentre os gentios, 16 sabendo, contudo, que o homem não é justificado
por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em
Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras
da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado”.
Lembre-se que o que deu
origem a essas palavras foi uma repreensão de Paulo ao apóstolo Pedro por causa
de uma atitude hipócrita do mesmo em relação a observância da Lei (vs 11-14).
Paulo diz que nenhum
homem pode tornar-se justo aos olhos de Deus através da obediência à Lei, ou
seja, ninguém é salvo por sua capacidade de obedecer. Porém, mediante a fé em
Cristo Jesus, o homem é salvo. Como se esta declaração geral – “o homem não é justificado por obras da lei” – não bastasse, o apóstolo vai torna-la pessoal
e aplicará à sua própria vida e à de Pedro, ele diz: “também temos crido em Cristo Jesus, para
que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei”. Observe, “também temos crido”, ou seja, nós que
somos judeus de nascimento, o povo eleito de Deus, o povo a quem pertence a
aliança, a Lei, o templo, nós também somos salvos através da fé no Senhor Jesus
e não pelas obras.
Se estivermos seguindo
corretamente o raciocínio do apóstolo, precisaremos relembrar o que ele disse a
Pedro no versículo 14: “se, sendo tu judeu, vives como gentio e não
como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus? ”. Você consegue perceber onde Paulo quer chegar? Pedro
sendo judeu, sabedor que a sua própria salvação não era fruto de sua obediência
a Lei, mas da fé no Senhor Jesus, estava forçando aqueles pobres gentios a
guardarem a Lei como condição para serem salvos. Esta atitude de Pedro, com
certeza, levou o apóstolo a expandir seu argumento. E ele fará isso a partir do
versículo 17. No entanto, precisamos saber o que ele quer dizer com
justificação pela fé.
Justificação é o ato pelo
qual Deus declara justo o pecador que crê no Senhor Jesus Cristo. A primeira
observação a ser feita neste conceito é que a justificação é um ato e não um
processo. Uma tradução literal de Romanos 5.1 diz assim: "Tendo sido, portanto, justificados
de uma vez por todas pela fé, temos paz com Deus
por meio de nosso Senhor Jesus Cristo".
Observe que a ação acontece uma única vez e é definitiva. Outra característica
importante é que a justificação é um ato de Deus e não fruto do esforço humano
em alcançar, através da obediência a algum mandamento, a salvação. Uma terceira
observação a ser feita neste conceito de justificação é que Deus declara o
homem justo e não o torna justo. O que isto quer dizer? Que a justiça não é
inerente ao homem, mas algo que lhe é atribuída (Cristo não tinha cometido pecado, mas Deus,
para nosso bem, tratou-o como pecador para que nós, em união com ele,
pudéssemos ser considerados justos por Deus. Gl 5.21). No entanto,
sabemos que a
verdadeira justificação conduz a uma mudança de vida.
Podemos
concluir que o ensino bíblico sobre a justificação é que a justiça de Cristo é
imputada ao pecador, uma vez que ele não pode fazer nada para se auto
justificar e que a maneira pela qual este pecador pode ter acesso a essa graça
de Deus é através da fé no Senhor Jesus Cristo. Portanto, não precisamos viver
angustiados, fazendo ou deixando de fazer determinadas obras no intuito de
alcançar a salvação, mas precisamos aprender a descansar na obra redentora do
nosso Senhor Jesus Cristo realizada naquela cruz.

Nenhum comentário:
Postar um comentário