quarta-feira, 21 de outubro de 2015

UMA BREVE MEDITAÇÃO SOBRE A GRAÇA DE DEUS

UMA BREVE MEDITAÇÃO SOBRE A GRAÇA DE DEUS


            A grande maioria das pessoas no mundo não têm a mínima ideia do significado da graça de Deus que a Bíblia expõe de forma explícita em suas páginas. E se filtrarmos essas pessoas e restringíssemos apenas àqueles que se professam cristãos o resultado não seria muito diferente, e, afunilando um pouco mais levarmos o tema apenas aos cristãos evangélicos teríamos, infelizmente, um resultado lastimável.
            A grande verdade é: O mundo sabe pouco ou nada sobre a graça de Deus.
            Mas nessas breves linhas vamos procurar entender pelo menos o que é e o que fez essa graça por nós.
            Não temos a pretensão de esgotar o assunto até porque o tema é demasiadamente profundo, existindo muito material que trata do tema em questão.
            Bem, não poderíamos iniciar a explanação sem darmos o conceito de “Graça”.
Graça é um substantivo feminino oriundo do termo em latim gratia e significa benevolência, mercê, estima ou um favor que se dispensa ou recebe.
No âmbito da teologia, graça consiste no dom sobrenatural, concedido por Deus como meio de salvação.
No meio cristão, principalmente entre os cristãos evangélicos, conceitua-se a graça de Deus como um favor imerecido.
Definido, então, o conceito, vamos ao desdobramento do que a graça fez e faz por pela humanidade.
Em primeiro lugar devemos entender a condição do ser humano, que num sentido geral é de condenado. O homem nasce como pecador, pois herda de Adão o pecado original. “Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram”. (Rm 5.12). De forma mais contundente a Bíblia declara que o homem está morto em suas ofensas e pecados (Ver Efésios 2.1, 5). Assim, podemos dizer que o homem está na posição de condenado e sua sentença é a morte. “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor”. (Rm 6.23).
Em segundo lugar, o homem condenado, não pode e nem tem subsídio para sair dessa condição, ou seja, ele nada pode fazer para mudar de posição, e, nem tem nada que possa dar em troca de sua salvação. Tudo isso porque o preço pelo pecado é um valor muito acima do que o ser humano possa pagar.
O que devemos entender é que não merecemos salvação, e, sim, a condenação. O pecado separou o homem de Deus, impedindo que a criatura tivesse comunhão com o Criador, a Bíblia afirma essa verdade nas palavras do profeta Isaias: “mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça”. (Isaias, 59.2).
O apóstolo Paulo na carta aos Romanos também expõe essa verdade: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23). Outra tradução dessa mesma passagem, assim declara: “Porque todos pecaram e não são capazes de merecer o louvor de Deus (Novo Testamento Judaico).
A humanidade, toda ela, está afastada, separada de Deus, o pecado a separou, e, esse é um problema universal, e não há nada que o homem possa fazer para mudar isso. Como bem coloca Max Lucado:
O que nos separa de Deus é o pecado. Não somos fortes o suficiente para removê-lo, e não somos bons o bastante para apagá-lo. Apesar de todas as nossas diferenças, há um problema que todos partilhamos: estamos separados de Deus.

Em síntese, o homem é um ser que está afastado da gloriosa presença de Deus, está condenado, sentenciado à morte, pois tem em sua natureza a herança do pecado adâmico e nada pode fazer com relação a ser absolvido dessa condenação.
Ratificando o que eu já disse nas primeiras linhas desse artigo, o mundo está aquém do conhecimento dessa verdade, da condição humana, de sua condenação, da sentença que já foi proferida pelo grande juiz. Porém o que mais entristece é que a igreja hodierna também está na névoa quanto a esse tema, não entendem muito bem essa condição e tão pouco sobre a graça de Deus.
Então, o que a Graça de Deus fez?  A resposta a essa pergunta é simples:
Tirou o homem do “corredor da morte”, da posição de condenado, para a posição de absolvido, em outras palavras, salva o pecador. E podemos afirmar que ela alcança o mais vil pecador, homicida, mentiroso, ladrão, adúltero..., sim! Pessoas como essas, podem ser salvas pela graça de Deus, leia o texto do evangelho de Lucas 23.29-43, há ali uma comprovação do alcance desse favor imerecido.
O apóstolo Paulo em sua carta aos efésios diz: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie”. (Ef 2.8,9).
A Graça é um dom de Deus dado ao homem de forma gratuita que o salva da condenação eterna. Como bem expressa  David Martyn Lloyd-Jones:
Graça, jamais nos esqueçamos disso, significa benefícios dados a quem não os merece, favor mostrado para com gente que não merece favor nenhum; favor mostrado para com aqueles que, legalmente, merecem a punição mais severa que se pode conceber. Contudo, em vez de nos punir, Deus nos perdoa, Deus nos abençoa, Deus derrama favores sobre nós. É tudo pela graça. Não há nada em nós que lhe faça jus. É tudo porque Deus é o “Deus de toda a graça”, o Deus de amor. É tudo por causa das “abundantes riquezas de sua graça” – inteiramente imerecida de nossa parte, e inteiramente gratuita de Sua parte, não obstante sermos o que somos.

 O homem necessita de salvação, que, só pode vir de Deus, do alto do trono de sua glória, não vem do próprio homem nem de suas obras. A graça é de Deus para o homem e não do homem para Deus, é do céu para terra e não da terra para o céu. Mais uma vez me permitam citar Max Lucado:
Por favor, note: A salvação é dada por Deus, movida por Deus, autorizada por Deus, e originada em Deus. A dádiva não é do homem para Deus. É de Deus para o homem. “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados” (1 Jo 4.10). A graça é criada por Deus e dada ao homem. “Destilai vós, céus, dessas alturas, e as nuvens chovam justiça; abra-se a terra, e produza-se salvação, e a justiça frutifique juntamente; eu, o Senhor, as criei” (Is 45.8).

De modo que a conclusão que chegamos sobre esses breves comentários e argumentos sobre a graça de Deus é que somos pecadores miseráveis, merecedores da ira de Deus, que nada podemos oferecer pelo nosso perdão, todavia o próprio Deus na sua grande misericórdia propiciou a redenção do homem, em que, Ele pagou o preço pelos pecados da humanidade pelo sacrifício de Cristo Jesus, em quem nós encontramos essa graça salvadora dada pelo Pai.









REFERÊNCIAS
DE ALMEIDA, João Ferreira. A Bíblia Sagrada Mover de Deus. Editora Boas Palavras, São Caetano do Sul-SP.
LLOYD-JONES, David Martyn. Romanos Exposição sobre capitulo 5 a certeza da fé. 1ª Ed. Em português de publicações evangélicas selecionadas, 2000, p.51
LUCADO, Max. Nas Garras da Graça. Editora CPAD, 2012, P.56
http://www.significados.com.br







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