Chamado aos não convertidos
Sermão (nº. 174)
Pronunciado
na noite de Domingo, 8 de novembro de 1857,
pelo Rev. C. H. Spurgeon
pelo Rev. C. H. Spurgeon
na
Capela de New Park Street, Southwark (Inglaterra)
Todos
aqueles que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito:
maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no
livro da lei, para fazê-las. (Gal. 3:10).
Meu
querido ouvinte. Você está convertido ou não? De sua resposta a esta questão dependerá
a forma pela qual me dirigirei a você neste dia.
Queira,
eu lhe rogo, pela tua alma, esquecer por alguns momentos que você se encontra
num lugar de culto, ouvindo um ministro do Evangelho, que prega a um auditório
numeroso. Tente imaginar que você está sentado em sua casa, em sua sala, e que
eu estou ao seu lado, sua mão na minha, conversando sozinho com você; porque é
assim que eu desejo falar neste momento a cada um dos que me escutam.
Eu
repito então, meu querido auditório, a questão soberanamente importante e solene
que já coloquei, e eu lhe conjuro a responder como na presença de Deus.
Você
está em Cristo ou fora dele? Você procurou um refúgio junto daquele que é a única
esperança do pecador? Ou você ainda é um estrangeiro na república de Israel,
longe de Deus e fora das promessas de seu santo Evangelho?
Vejamos,
meu irmão, sem hesitação ou falsas desculpas; seja sincero e que sua consciência
responda SIM ou NÃO à minha pergunta. Porque, de duas coisas, uma: ou você está
sob o peso da cólera de Deus, ou está livre dessa ira. Não há outra alternativa.
Sim, você é neste momento mesmo, herdeiro da maldição divina, ou herdeiro do
reino da graça. Qual desses dois estados é o seu? Você é que tem de dizer. E
que não haja "se" ou "talvez" em sua resposta, mas que ela
seja clara, leal, categórica. Se você tem ainda dúvida a este respeito, eu lhe
suplico, não dê repouso a sua alma até que a dúvida se dissipe. Sobretudo, não
se apresse em interpretar a dúvida em proveito próprio; antes a considere como
uma forte presunção contra você. É mais provável, creia, que você esteja no mau
estado que no bom. Agora então, ó meu irmão, ponha sua alma na balança e se um
dos pratos não pesa mais que o outro, mas os dois se mantêm perto do
equilíbrio, de tal sorte que você seja obrigado a dizer "Eu não sei
qual", lembre-se que é melhor você decidir a questão pelo pior, ainda que
isso seja terrível, do que resolver esta questão pelo bem, correndo o risco de
se deixar seduzir e continuar a viver sob uma segurança presunçosa, até que
você finalmente reconheça sua fatal ilusão no abismo do inferno.
Pode
você então, com uma mão posta na Palavra de Deus e outra em seu próprio coração,
elevar neste instante seus olhos para o céu e dizer com uma humilde segurança:
"Eu sei uma coisa, que estava cego e agora vejo; eu sei que passei da morte
para a vida; eu sou o primeiro dos pecadores, mas Jesus morreu por mim e a menos
que eu me engane da maneira mais terrível, eu sou desde agora um dos resgatados
por Cristo, um monumento da graça de Deus?" Você pode, em boa consciência,
me dar essa resposta? Se é assim, ó meu irmão, a paz de nosso Senhor seja
contigo! Que a bênção do Altíssimo repouse sobre sua alma! Não tema; as palavras
que vamos meditar não serão mais como raios para você. Leia o versículo do capítulo que tirei meu texto, e aí você
encontrará a confirmação gloriosa de suas esperanças – Cristo foi feito
maldição por nós, porque está escrito: maldito o que for pendurado no madeiro.
Se
então é verdade que você é um filho de Deus, convertido e regenerado, eu repito,
você não tem nada a temer, porque Cristo se fez maldição em seu lugar.
Mas
tenho a convicção de que a grande maioria desta assembléia não poderia me dar
uma resposta semelhante; e você em particular, meu querido ouvinte (porque quero
continuar a me dirigir pessoalmente a você), você não ousaria, não é verdade,
falar assim, porque você é estranho à aliança da graça. Você não ousaria mentir
a Deus e à sua consciência; por causa disso você diz com uma franqueza que lhe
honra: "Eu sei que nunca fui regenerado; eu sou hoje o que tenho sido em
todo o tempo". Portanto, é com você que eu quero falar, ó homem! E eu lhe
conjuro, por Aquele que haverá de julgar os vivos e os mortos, por Aquele
diante do qual eu e você deveremos logo comparecer; eu lhe conjuro a escutar
com atenção o que tenho a lhe dizer da parte do Senhor, lhe lembrando que este
apelo talvez seja o último que lhe será dado a ouvir! E eu te conjuro também, ó
minha alma, a falar com fidelidade a estes homens mortais que te cercam, por medo
que no último dia, o sangue de suas almas não seja encontrado em roupa, e que
tu mesma não sejas reprovada!
Ó
Senhor, leve-nos todos a um estado de reverência e introspecção. Queira nos
dar, neste momento, ouvidos que ouçam, uma memória que retenha e uma
consciência que seja tocada por teu Espírito, pelo amor de Jesus !
Nós
dividiremos este discurso em três partes. Primeiro, NÓS JULGAREMOS O ACUSADO;
em segundo lugar, NÓS PRONUNCIAREMOS SUA SENTENÇA; e finalmente, se ele se
reconhecer culpado e se arrepender (somente nestas condições), NÓS LHE
ANUNCIAREMOS A LIBERTAÇÃO.
Primeiro,
façamos o JULGAMENTO DO ACUSADO.
Meu
texto diz assim: maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas
no livro da Lei para as praticar. Homem não convertido, eu lhe pergunto, você é
culpado ou não culpado? Você tem perseverado em todas as coisas que estão escritas
no livro da Lei? Na verdade, me parece quase impossível que você ouse sustentar
sua inocência; mas quero supor, por um instante, que você tenha a triste coragem
de fazê-lo. Quero supor que você diga ousadamente: "Sim, eu persevero em
todos os mandamentos da Lei." É o que nós vamos examinar, meu caro
ouvinte; e antes de tudo, permita-me lhe perguntar se você conhece esta lei que
você diz cumprir.
Eu vou
lhe dar um simples resumo que chamarei exterior, mas lembre-se que ela possui
um sentido interior e espiritual infinitamente mais amplo que seu sentido literal.
Escute então o primeiro mandamento da Lei:
NÃO
TERÁS OUTRO DEUS DIANTE DE MIM.
O quê?
Você jamais amou outra coisa além de seu Criador? Você sempre lhe deu o primeiro
lugar em suas afeições? Você não tem feito um Deus de seu ventre, ou de seu
comércio, ou de sua família, ou de sua própria pessoa? Oh! Você certamente não
ousará negar que este primeiro mandamento lhe condena! E o segundo, você o tem
obedecido melhor?
NÃO
FARÁS PARA TI IMAGEM DE ESCULTURA, NEM ALGUMA SEMELHANÇA DO QUE HÁ EM CIMA NOS
CÉUS, OU EM BAIXO NA TERRA, NEM NAS ÁGUAS DEBAIXO DA TERRA.
O quê!
Você jamais se curvou diante da criatura? Jamais colocou qualquer objeto
terrestre no lugar de Deus? De minha parte, eu lhes declaro para minha
vergonha, que tive ídolos em minha vida; e se sua consciência fala com
sinceridade, estou certo que ela lhe dirá também: "Ó homem!
Você
tem sido um adorador de Mammon, um adorador de seus sentidos; você tem se
prostrado diante de seu dinheiro e seu ouro; você tem se inclinado lhes dando honra
e dignidade; você tem feito um Deus de sua intemperança, um Deus de suas cobiças,
um Deus de sua impureza, um Deus de seus prazeres!
E o
terceiro mandamento.
NÃO
TOMARÁS O NOME DO SENHOR TEU DEUS EM VÃO.
Você
ousaria sustentar que não o tem violado? Você jamais proferiu juramentos grosseiros,
ou palavras blasfemas; não empregou ao menos irreverentemente o nome de Deus,
em suas conversas comuns? Diga-me: você tem sempre santificado este nome, três
vezes santo? Você nunca o pronunciou sem necessidade? Você nunca leu o livro de
Deus distraidamente e com pressa? Você nunca escutou a pregação do Evangelho,
sem respeito e recolhimento? Oh! Certamente, aqui também, você tem que se
confessar culpado.
E
quanto ao quarto mandamento, que trata da observação do sábado.
LEMBRA-TE
DO DIA DE DESCANSO PARA O SANTIFICAR.
Há
alguém bastante atrevido para dizer que nunca o transgrediu? Oh! Homem, ponha
então sua mão na boca e reconheça que estes quatro mandamentos bastariam para
lhe convencer do pecado e para despejar sobre você a justa cólera de Deus !
Mas
continuemos nosso exame.
HONRA
A TEU PAI E A TUA MÃE.
O quê!
Você pretende não ser culpado neste ponto? Em sua juventude, você nunca os
desobedeceu? Você nunca se rebelou contra o amor de sua mãe, nem desprezou a
autoridade de seu pai? Folheie as páginas de seu passado. Veja se em sua infância,
ou mesmo em sua idade madura, você sempre falou com seus pais. Como deveria
fazer; veja se você sempre os tratou com a honra que eles têm direito e que Deus
lhe ordenou lhes dar.
NÃO
MATARÁS.
É
possível, meu caro ouvinte, que você não tenha violado a letra deste mandamento;
é possível que você não tenha tirado a vida a um de seus semelhantes; mas você
nunca se deixou dominar pela cólera? Ora, a Palavra de Deus declara
expressamente que aquele que se encoleriza contra seu irmão, é um assassino (I
Jo 3:15). Julgue, depois disso, se você é ou não culpado.
NÃO
COMETERÁS ADULTÉRIO.
Talvez
você tenha cometido coisas abomináveis, e esteja mergulhado hoje mesmo, nas
mais vergonhosas luxúrias; mas, admitindo que você tenha sempre vivido na castidade
mais perfeita, você pode dizer, ó meu irmão, que você não tem nada a lhe reprovar
neste mandamento, quando você se coloca na presença destas solenes palavras do
Mestre: qualquer que olhe uma mulher para a cobiçar, já cometeu adultério com
ela em seu coração (Mt 5:28). Nenhum pensamento lascivo atravessou seu espírito?
Nenhum desejo impuro manchou sua imaginação? Oh! Certamente, se sua fronte não
é dura como o bronze, se sua consciência não estiver inteiramente cauterizada,
sua resposta a estas questões não deixaria dúvidas.
NÃO
FURTARÁS.
Você
jamais roubou alguém? Talvez, nesta manhã mesma, você tenha cometido um furto,
e se encontra aqui, em meio ao povo, ainda com o produto do seu latrocínio; mas
ainda que você seja de uma probidade exemplar, entretanto, não houve momentos
em sua vida, em que você provou um secreto desejo de enganar seu próximo? Eu
vou mais longe – você nunca cometeu, às escuras e em silêncio, algumas daquelas
fraudes, que mesmo não sendo contrárias às leis de seu país, não deixam de ser
infrações manifestas da santa Lei de Deus?
E quem
de nós seria tão audacioso em afirmar que tem obedecido perfeitamente ao nono
mandamento?
NÃO
DIRÁS FALSO TESTEMUNHO CONTRA TEU PRÓXIMO
Nunca
demos ocasião à calúnia? Nós não temos, freqüentemente, interpretado mal as
intenções de nossos semelhantes?
E o
último mandamento.
NÃO
COBIÇARÁS.
Onde
está o homem que não tenha pisado este mandamento com os pés? Quantas vezes não
temos desejado mais do que Deus nos tem dado? Quantas vezes nossos corações
carnais não têm suspirado pelos bens que o Senhor em sua sabedoria julgou
melhor nos recusar? Ah! meus amigos; sustentar nossa inocência diante da Lei de
Deus, não seria isso, lhes pergunto, um ato de verdadeira loucura? E não lhes
parece que a simples leitura desta Lei santa deveria bastar para extrair de
nós, cheios de humilhação e penitência, esta frase: “Nós somos culpados,
Senhor, somos culpados em todos os pontos?”
Mas
ouço alguém me dizer: “Não, não quero me reconhecer culpado. Certamente, não
teria a pretensão de perseverar em todas as coisas que estão escritas no livro
da Lei, mas ao menos, fiz o que pude. Isto é falso, ó homem! Você se engana e
mente diante da face de Deus! Não, você não fez tudo que é possível para
perseverar no bem. Em milhares situações de sua vida, você deveria ter agido
melhor do que agiu.
O quê!
Este homem ousaria afirmar que fez o possível para agradar a Deus, quando o
vejo assentado no banco dos escarnecedores, e insultar seu Criador até em seu santuário?
O quê! Todos que estamos aqui, não teríamos podido, se tivéssemos querido,
resistir àquela tentação, evitar aquela queda cuja lembrança nos condena?
Se nós
não fôssemos livres para escapar do mal, sem dúvida seríamos desculpados ao
cair; mas quem de nós não é forçado a reconhecer que houve em sua vida momentos
solenes, nos quais chamado a escolher entre o bem e o mal, resolutamente
escolheu o mal e virou as costas ao bem, andando assim, sabendo e querendo, no
caminho que conduz ao inferno?”
“Ah!
Exclama um outro, é verdade que infrinjo a Lei de Deus, mas não sou pior do que
aqueles que me cercam”. Pobre argumento é este, meu caro ouvinte, ou melhor, de
fato nem pode ser chamado assim. Você não é, assim creio, pior que o resto dos
homens, mas lhe rogo, em que isto lhe é vantagem ? Será uma coisa menos
terrível ser condenado em companhia, ainda que seja, de um único perdido?
Quando,
no último dia, Deus disser aos ímpios: Vão, malditos, para o fogo eterno!
Você
crê que esta terrível sentença lhe será mais doce, porque ela será dirigida aos
milhares, tanto quanto a você?
Se o
Senhor precipitasse uma nação inteira no inferno, cada indivíduo sentiria tão vivamente
o peso desse castigo, como se fosse o único a carregá-lo. Deus não é como os
juízes da terra: se os tribunais fossem entulhados de acusados, talvez fossem
tentados a passar levemente por sobre mais de um processo; mas o Altíssimo não
agirá assim. Infinito em todas as suas faculdades, o grande número de
criminosos não será obstáculo para Deus. Ele se mostrará tão justo e inflexível
com você, como se não existisse outro pecador como você. Além disso, que você tem,
eu rogo, com os pecados de outrem? Você não é responsável, porque cada um levará
seu próprio peso. Deus lhe julgará segundo suas obras e não segundo as dos outros.
As faltas da mulher de vida má, podem ser mais grosseiras que as suas, mas não
se lhe pedirá conta de suas iniqüidades. O crime do assassino pode revelar muito
aos meus olhos sobre suas próprias transgressões, mas você não será condenado
por ele. Fixe bem em seu espírito, ó homem, que a religião é um negócio entre
Deus e você, por isso, lhe conjuro, olhe seu próprio coração e não o de seu próximo.
Mas
ouço outro de meus ouvintes falando assim: “Quanto a mim, tenho me esforçado
muito em guardar os mandamentos de Deus e, em certos períodos de minha vida,
creio que tenho conseguido: isso não é suficiente para me pôr ao abrigo da
maldição?” Para responder, meu irmão, permita-me outra vez ler a sentença
contida em meu texto: “Maldito todo aquele que não permanecer em todas as
coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las.” Ah! Você não se convence
que o Senhor jamais confunde as cores agitadas de uma irresolução mórbida com a
santidade e obediência? Não será uma observação passageira e intermitente
destes mandamentos que ele aceitará no dia do juízo; não, é preciso perseverar
em fazer sua vontade. Se então, desde minha mais tenra infância, até a hora em
que meus cabelos brancos descerem ao sepulcro, minha vida não for um incessante
cumprimento da Lei de Deus, eu serei condenado! Se desde o instante em que
minha inteligência recebe seus primeiros raios de luz, eu me torno um ser responsável,
até o dia em que, como uma espiga madura, eu sou recolhido nos celeiros
eternos, eu não observei em sua inteireza todas as ordenanças de meu Mestre, a
salvação pelas obras é impossível para mim, e estarei infalivelmente perdido!
Então,
não espere, ó homem, que uma obediência vacilante e sem conseqüência salvará
sua alma. Você não perseverou em todas as coisas que estão escritas no livro da
Lei. Por conseqüência, você está condenado. Mas outro objeta – “se há vários
pontos da Lei que transgredi, não quer dizer que eu seja menos virtuoso”. Eu
concordo, meu irmão. Quero supor que de fato você tem sido um modelo de
virtude; eu quero supor que você é puro de muitos vícios.
Mas
releia meu texto (e lembre-se que não é minha palavra, mas a palavra de Deus que
você vai ler). “Maldito todo aquele que não perseverar em todas as coisas que estão
escritas no livro da Lei.” Note que não está dito para perseverar em algumas coisas,
mas em todas as coisas.
Ora,
eu lhe pergunto, você tem praticado todas as virtudes? Você tem evitado todos os
vícios? Você diz, talvez, para sua defesa: “Eu não sou um intemperante.” Que seja.
Mas você não será menos condenado, se você tem sido um fornicário. “Eu jamais
cometi impureza”, você grita. Que seja ainda. Mas se você tem profanado o sábado,
você tem incorrido em maldição. Você me responde que também nisto você não pode
ser reprovado? Eu replico que se você tem tomado o nome de Deus em vão, esta
única transgressão basta para lhe condenar. Sobre um ponto ou outro, a Lei de
Deus lhe atingirá indubitavelmente. Mas há mais – não somente afirmo (e estou
certo que sua consciência confirma também) que você não tem perseverado em
todas as coisas que estão escritas na Lei, mas ainda sustento que você não tem perseverado
em guardar em sua inteireza um único dos mandamentos de Deus. O mandamento é de
uma grande amplitude, disse o salmista (Sl 109:96), e nenhum homem sobre a
terra conseguiu sondar sua profundidade. Não é apenas o ato exterior que nos
deixa passíveis da condenação eterna, mas o pensamento, a imaginação, a
concepção do pecado, bastam para fazer perder a alma. E lembrem-se, meus caros
amigos, que esta doutrina, que pode, eu concordo, lhes parecer dura, não é
minha – ela é de Deus.
Se
vocês nunca tivessem transgredido a Lei divina, mas se seus corações têm concebido
maus pensamentos ou nutrido maus desejos, vocês merecem o inferno.
Se
vocês tivessem vivido desde seu nascimento até hoje, em um lugar inacessível, longe
de qualquer ser humano, e lhes tivesse sido impossível de fisicamente cometer
seja um ato impuro, seja um assassinato, ou uma injustiça, as imaginações de
seus corações depravados, só elas bastariam para lhes banir para sempre da presença
de Deus. Não! Não há uma alma nesta grande assembléia que possa esperar escapar
da condenação da Lei! Todos, desde o primeiro até o último, devemos nos curvar
diante de Deus, e gritar em uma única voz – “Nós somos culpados, Senhor, nós
somos culpados!” Quando eu te contemplo, ó Lei, minha carne treme, meu espírito
fica perdido!
Quando
ouço roncar seu trovão, meu coração se derrete como cera dentro de mim!
Como
posso suportar tua presença? Como poderei aplacar tua justiça? Certamente, se
no último dia eu tivesse de comparecer a teu tribunal, não saberia escapar da condenação,
porque minha consciência será minha acusadora!
Mas
creio que é supérfluo insistir muito neste ponto. Oh! Você que está fora de Cristo
e sem Deus no mundo, não se convenceu ainda que você está sob o golpe da cólera
divina? Para trás de nós, loucas ilusões! Caí, máscaras da mentira! Lancemos ao
vento nossas vãs desculpas e reconheçamos que ao menos que nós sejamos cobertos
pelo sangue e da justiça de Cristo, a maldição contida em meu texto, fecha a
cada um de nós, individualmente, a porta dos céus e não nos deixa nada mais a esperar
além das chamas da perdição.

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