UMA
BREVE MEDITAÇÃO SOBRE A GRAÇA DE DEUS
A grande maioria das pessoas no
mundo não têm a mínima ideia do significado da graça de Deus que a Bíblia expõe
de forma explícita em suas páginas. E se filtrarmos essas pessoas e
restringíssemos apenas àqueles que se professam cristãos o resultado não seria
muito diferente, e, afunilando um pouco mais levarmos o tema apenas aos cristãos
evangélicos teríamos, infelizmente, um resultado lastimável.
A grande verdade é: O mundo sabe
pouco ou nada sobre a graça de Deus.
Mas nessas breves linhas vamos
procurar entender pelo menos o que é e o que fez essa graça por nós.
Não temos a pretensão de esgotar o
assunto até porque o tema é demasiadamente profundo, existindo muito material
que trata do tema em questão.
Bem, não poderíamos iniciar a
explanação sem darmos o conceito de “Graça”.
Graça é um substantivo feminino oriundo do
termo em latim gratia e significa
benevolência, mercê, estima ou um favor que se dispensa ou recebe.
No âmbito da teologia, graça consiste no
dom sobrenatural, concedido por Deus como meio de salvação.
No meio cristão, principalmente entre os
cristãos evangélicos, conceitua-se a graça de Deus como um favor imerecido.
Definido, então, o conceito, vamos ao
desdobramento do que a graça fez e faz por pela humanidade.
Em primeiro lugar devemos entender a condição
do ser humano, que num sentido geral é de condenado. O homem nasce como
pecador, pois herda de Adão o pecado original. “Portanto, como por um homem
entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a
todos os homens por isso que todos pecaram”. (Rm 5.12). De forma mais
contundente a Bíblia declara que o homem está morto em suas ofensas e pecados (Ver
Efésios 2.1, 5). Assim, podemos dizer que o homem está na posição de condenado
e sua sentença é a morte. “Porque o salário
do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo
Jesus nosso Senhor”. (Rm 6.23).
Em segundo lugar, o homem condenado, não
pode e nem tem subsídio para sair dessa condição, ou seja, ele nada pode fazer para
mudar de posição, e, nem tem nada que possa dar em troca de sua salvação. Tudo
isso porque o preço pelo pecado é um valor muito acima do que o ser humano
possa pagar.
O que devemos entender é que não merecemos
salvação, e, sim, a condenação. O pecado separou o homem de Deus, impedindo que
a criatura tivesse comunhão com o Criador, a Bíblia afirma essa verdade nas
palavras do profeta Isaias: “mas as vossas iniquidades fazem separação entre
vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que
não vos ouça”. (Isaias, 59.2).
O apóstolo Paulo na carta aos Romanos
também expõe essa verdade: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória
de Deus” (Rm 3.23). Outra tradução dessa mesma passagem, assim declara: “Porque
todos pecaram e não são capazes de merecer o louvor de Deus (Novo Testamento
Judaico).
A humanidade, toda ela, está afastada,
separada de Deus, o pecado a separou, e, esse é um problema universal, e não há
nada que o homem possa fazer para mudar isso. Como bem coloca Max Lucado:
O que nos separa
de Deus é o pecado. Não somos fortes o suficiente para removê-lo, e não somos
bons o bastante para apagá-lo. Apesar de todas as nossas diferenças, há um
problema que todos partilhamos: estamos separados de Deus.
Em síntese, o homem é um ser que está afastado
da gloriosa presença de Deus, está condenado, sentenciado à morte, pois tem em
sua natureza a herança do pecado adâmico e nada pode fazer com relação a ser
absolvido dessa condenação.
Ratificando o que eu já disse nas
primeiras linhas desse artigo, o mundo está aquém do conhecimento dessa
verdade, da condição humana, de sua condenação, da sentença que já foi
proferida pelo grande juiz. Porém o que mais entristece é que a igreja hodierna
também está na névoa quanto a esse tema, não entendem muito bem essa condição e
tão pouco sobre a graça de Deus.
Então, o que a Graça de Deus fez? A resposta a essa pergunta é simples:
Tirou o homem do “corredor da morte”, da
posição de condenado, para a posição de absolvido, em outras palavras, salva o
pecador. E podemos afirmar que ela alcança o mais vil pecador, homicida,
mentiroso, ladrão, adúltero..., sim! Pessoas como essas, podem ser salvas pela
graça de Deus, leia o texto do evangelho de Lucas 23.29-43, há ali uma
comprovação do alcance desse favor imerecido.
O apóstolo Paulo em sua carta aos efésios
diz: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é
dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie”. (Ef 2.8,9).
A Graça é um dom de Deus dado ao homem de
forma gratuita que o salva da condenação eterna. Como bem expressa David Martyn Lloyd-Jones:
Graça, jamais nos
esqueçamos disso, significa benefícios dados a quem não os merece, favor
mostrado para com gente que não merece favor nenhum; favor mostrado para com
aqueles que, legalmente, merecem a punição mais severa que se pode conceber. Contudo,
em vez de nos punir, Deus nos perdoa, Deus nos abençoa, Deus derrama favores
sobre nós. É tudo pela graça. Não há nada em nós que lhe faça jus. É tudo
porque Deus é o “Deus de toda a graça”, o Deus de amor. É tudo por causa das
“abundantes riquezas de sua graça” – inteiramente imerecida de nossa parte, e
inteiramente gratuita de Sua parte, não obstante sermos o que somos.
O homem necessita de salvação, que, só pode
vir de Deus, do alto do trono de sua glória, não vem do próprio homem nem de
suas obras. A graça é de Deus para o homem e não do homem para Deus, é do céu
para terra e não da terra para o céu. Mais
uma vez me permitam citar Max Lucado:
Por favor, note: A
salvação é dada por Deus, movida por Deus, autorizada por Deus, e originada em
Deus. A dádiva não é do homem para Deus. É de Deus para o homem. “Nisto
consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e
enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados” (1 Jo 4.10). A graça é
criada por Deus e dada ao homem. “Destilai vós, céus, dessas alturas, e as
nuvens chovam justiça; abra-se a terra, e produza-se salvação, e a justiça
frutifique juntamente; eu, o Senhor, as criei” (Is 45.8).
De modo que a conclusão que chegamos sobre
esses breves comentários e argumentos sobre a graça de Deus é que somos
pecadores miseráveis, merecedores da ira de Deus, que nada podemos oferecer
pelo nosso perdão, todavia o próprio Deus na sua grande misericórdia propiciou
a redenção do homem, em que, Ele pagou o preço pelos pecados da humanidade pelo
sacrifício de Cristo Jesus, em quem nós encontramos essa graça salvadora dada
pelo Pai.
REFERÊNCIAS
DE
ALMEIDA, João Ferreira. A Bíblia Sagrada Mover de Deus.
Editora Boas Palavras, São Caetano do Sul-SP.
LLOYD-JONES,
David
Martyn. Romanos Exposição sobre capitulo 5 a certeza da fé. 1ª Ed. Em português
de publicações evangélicas selecionadas, 2000, p.51
LUCADO,
Max. Nas Garras da Graça. Editora CPAD, 2012, P.56
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